empreguei duas horas da noite de sábado a rever o filme que o Clint Eastwood fez sobre a vida de Charlie Parker. não o revi porque tenha gostado muito da primeira vez, revi por um só momento. um único.
numa digressão pelo sul profundo dos EUA, numa altura em que as bandas mistas eram mal vistas, Charlie Parker incluiu na sua banda um trompetista branco, judeu. Red Rodney foi, para essa digressão, rebaptizado de Albino Red, passando por albino para poder tocar. e, contra a sua vontade, cantar.
é este momento do filme que é para mim inesquecível. quando Albino Red começa a cantar, com uma voz sofrível, uma letra pouco compreensível.
everybody
…all down…….
…everybody…
…is…. all down…
….don’t… mess up… baby….
cause I’ll have to…..
I’ll have to shoot you down….
….took up my money….
…down, down, down…..
foi neste homem, músico secundário, personagem secundário no biopic do grande génio, que eu encontrei motivo para rever o filme (já não é a primeira vez que escrevo sobre personagens secundários músicos). esta história, de um judeu trompetista que passa por albino para tocar com o quinteto de Charlie Parker é, por si só, extraordinária. e depois há a canção. foi à procura desta canção, cantada com uma pobre voz e péssima dicção, que roubei algumas horas à minha noite. sem êxito.
penso que se chama Albino Red Blues e que foi gravada especialmente para o filme. contudo não consta da banda sonora oficial e, aparte algumas referências esporádicas, não mostra muitos sinais de vida na Web.
talvez escreva ao Clint Eastwood e lhe peça uma cópia do resto da banda sonora.
é que, para mim, não existem assim tantas canções tão boas como esta.
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