sábado, 22 de dezembro de 2007

Nove edifícios na Avenida da Liberdade.




















Para terminar esta série dedicada à Avenida da Liberdade e aos números do Robert Indiana ali expostos, deixo aqui, no número nove, uma lista dos nove edifícios que mais gosto na avenida. Lembrei-me disso ontem enquanto a descia, acompanhado, falando do Palácio Foz, do Palacete Conceição e Silva ou da Casa Lambertini.


 Palácio Foz. Sec. XVIII. Autoria atribuída a Francisco Xavier Fabri. http://i.pbase.com/o6/21/4921/1/22138669.rOv3gglC.Lisboa_Pal_Foz1012.jpg

 Hotel Avenida Palace. 1892. José Luís Monteiro. http://www.hotelavenidapalace.pt/IMGS/galeria/originals/IMG_1040.jpg

 Palacete Conceição e Silva. 1891 http://i88.photobucket.com/albums/k174/jpda74/Lisboa/conceicaoesilva.jpg

 Casa Lambertini. 1905 Nicola Bigaglia
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 Edifico nos nºs 206 a 218. 1915 Manuel Norte Júnior. http://www.jaimeroriz.com/premiovalmor/valmor_files/image015.jpg

 Hotel Vitória. 1934 Cassiano Branco. http://img13.photobucket.com/albums/v38/oceusobrelisboa/hotelvitoria.jpg

 Teatro Éden. 1937 Carlos Dias. Atribuído a Cassiano Branco, que se afastou do projecto e nunca reclamou a obra como sua.
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 Edifício do Diário de Notícias. 1940 Porfírio Pardal Monteiro. http://ulisses.cm-lisboa.pt/data/002/008/fotos/038.jpg

 Cinema Condes. 1950 Raul Tojal.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Há coisa de oito anos no último cinema da Av. da Liberdade.
















Foi para aí há oito anos que eu fui pela primeira vez ao cinema S. Jorge. O filme era A Barreira Invisível, do Terrence Malick. Foi há muito tempo, acho eu. Os bilhetes eram verdes, de papel fino, quase vegetal. Acho que ainda guardo alguns desses em casa. Os ‘senhores arrumadores de lugares’ tinham umas fatiotas todas bonitinhas, também verdes, meio despropositadas, patéticas, num sítio grandioso já em completa decadência. Estava tudo muito gasto. Talvez do peso dos sapatos finos e caros de outras décadas. Pouco tempo depois o S. Jorge fechou. Depois do Éden e do Condes. Reabriu depois de muita polémica sobre o destino daquele espaço único. Hoje está aberto e nunca lá vou. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que lá estive depois de reabrir. Lembro-me sobretudo de uma vez que fui lá ver o Lee Ranaldo dar um concerto muito bom. E pouco mais.

 Nesse dia, há coisa de oito anos, choveu. Choveu o dia inteiro sem parar. Ou pelo menos eu lembro-me desse dia assim. Triste e cinzento, pés húmidos e cabelo molhado. Como hoje. Também chovia no filme. No meio daquela falta de esperança também havia chuva. Quando me lembro desse dia só vejo chuva e cinzento. E as fardas verdes dos arrumadores do cinema. De um verde não menos cinzento. Quase da cor de um dia de chuva. Hoje está um dia tão chuvoso e cinzento como há oito anos atrás, no dia em que fui ver um filme no último cinema da Avenida da Liberdade.


"Everything a lie. Everything you hear, everything you see. So much to spew out. They just keep coming, one after another. You're in a box. A moving box. They want you dead, or in their lie... There's only one thing a man can do - find something that's his, and make an island for himself. If I never meet you in this life, let me feel the lack; a glance from your eyes, and my life will be yours." (the thin red line)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

domingo, 16 de dezembro de 2007

Six Feet Under.

Brenda: I dunno, sometimes I wake up so fucking empty I wish I was never born, but what choice do I have?

domingo, 9 de dezembro de 2007




















Até aos quatro anos, quando ainda morava em Sintra, eu ia frequentemente a Lisboa com a minha mãe. Apanhávamos o comboio na estação antiga e íamos até à estação do Rossio. Tenho estas visitas à capital muito presentes na minha memória. As viagens de comboio, de metro, as ruas da Baixa, o movimento, os carros, os semáforos, os edifícios imponentes e bonitos. Ficava maravilhado com tudo. Achava tudo extraordinariamente bonito. E embora não saíssemos muito ali da zona da baixa - mesmo que saíssemos eu não tinha uma noção de espaço suficiente para ter uma ideia precisa das distâncias – eu achava que Lisboa devia ser a maior cidade do mundo. Admito que a própria ideia de mundo não fosse muito precisa nesse tempo, mas Lisboa, na minha cabeça, tinha que ser a maior coisa já feita pelos homens.

Essas visitas deviam-se aos meus pés. Eram tortos. E precisavam de correcção, acompanhamento e botas ortopédicas. O médico onde ia, que era pequeno e velho, tinha um consultório no final da Avenida da Liberdade, já na Praça dos Restauradores. Lembro-me muito bem disso. Tinha um aparelho de vidro, com uma luz e um espelho, para onde eu subia, e onde ele me observava os pés. Não sei o que via, mas estavam sempre tortos, e continuaram tortos até muito tempo depois de parar com essas consultas e de deixar de usar botas ortopédicas. Mas a memória mais incrível que tenho dessas consultas era ficar à janela da sala de espera, de joelhos na cadeira a olhar a praça. Fascinava-me todo o movimento, os semáforos, aquela ordem estranha com que as coisas aconteciam. Olhava os edifícios: o Teatro Éden e o Palácio Foz, que nessa altura não tinham nome, não eram palácios nem teatros. Eram apenas parte daquela cidade onde tudo era grande, belo e novo. Até aos quatro anos, no final da Avenida da Liberdade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Robert Indiana em Lisboa ou um grande zero na Av. da Liberdade.




















Ao lado do seis estava o vagabundo, deitado no seu banco, com um pacote de vinho tinto e uma manta.
- Você não tem pinta de fotógrafo…
- é normal. Eu não sou fotógrafo. Eu tiro fotografias para passar o tempo.
- E depois? Faz o quê com elas?
- Com as fotos? Normalmente nada. Não sou fotógrafo, já lhe disse.
- Então são uma perda de tempo essas fotografias…
- Sim, são. Mas eu tenho muito tempo para perder.
- Também eu. Arranjas-me um cigarro?
- Não fumo.
- Foda-se, nem vinho, nem cigarros, nem o caralho. Nada para passar o tempo. Nem uma puta de uma máquina fotográfica, mas isso também não me serve.
- Bem, até logo, que ainda há uns quantos números para tirar fotografias.
- Vai com deus, ó poeta…! Se quiseres trás cá cigarros.










_Let
___At Least 
_____A drink 
_______Be named 
_________After me
___________Said the poet 
_____________Sealing his 
_______________Fate 
_________________For 
___________________No bar 
_____________________In the land 
_______________________Would tease 
_________________________The police. 

 Norman Mailer