domingo, 13 de julho de 2008
There ought to be a law against you comin' around.
Fui ver o Bob Dylan. Ontem à noite. Nunca quis ir e nunca pensei que valesse a pena gastar 50 para o ver em 2008. Mas na véspera disseram-me que tinham bilhete para mim e acabei por ir. Sem expectativas elevadas.
Não tenho dúvidas que em 2008 o Bob Dylan da década de 60, sozinho na guitarra ou com a banda eléctrica, seria ainda uma das maiores coisas do mundo. Até ao Blonde on Blonde tudo o que fez é eterno. Fresco, irreverente e genial, sobretudo depois da electricidade ter chegado na trilogia Bringing it All Back Home, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde.
Cheguei um pouco atrasado e devo ter perdido uma ou duas canções mas mal cheguei, percebi logo que as minhas baixas expectativas eram justificadas. Estava uma banda de baile a tocar competentes mas irrelevantes versões casamenteiras das canções do Bob Dylan. Desolation Row, Highway 61 Revisited, Tangled Up in Blue, Don't Think Twice It's Alright. Tudo tocado sem a chama, sem a intensidade das canções originais. Tudo sempre no mesmo ritmo pachorrento sem sobressaltos que quase poderia ter unido as canções num medley com a duração do concerto. Nunca pensei que o próprio Dylan permitisse que as suas canções fossem apresentadas assim, em versões tão irrelevantes cheias de apontamentos deslocados e pindéricos a cada vez que um dos seus músicos tinha direito a um solo. Salvou-se Ballad of a Thin Man, que mesmo sem brilhantismo foi apresentada dignamente.
Contudo havia muita gente contente (mesmo nos jornais de hoje as críticas iam desde o muito bom ao sóbrio). Aduladores do mito, este ou outro, conquistados à partida ou ainda antes. Já podem dizer que viram o Dylan ao vivo. Já podem dormir descansados. Viva o rei, que ele já pode morrer.
Eu cá não tive sorte. Fui ver o Bob Dylan mas não o encontrei. Quando eu nasci se calhar já era tarde.
Eu nunca vi o Bob Dylan.
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