quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Há coisa de oito anos no último cinema da Av. da Liberdade.
















Foi para aí há oito anos que eu fui pela primeira vez ao cinema S. Jorge. O filme era A Barreira Invisível, do Terrence Malick. Foi há muito tempo, acho eu. Os bilhetes eram verdes, de papel fino, quase vegetal. Acho que ainda guardo alguns desses em casa. Os ‘senhores arrumadores de lugares’ tinham umas fatiotas todas bonitinhas, também verdes, meio despropositadas, patéticas, num sítio grandioso já em completa decadência. Estava tudo muito gasto. Talvez do peso dos sapatos finos e caros de outras décadas. Pouco tempo depois o S. Jorge fechou. Depois do Éden e do Condes. Reabriu depois de muita polémica sobre o destino daquele espaço único. Hoje está aberto e nunca lá vou. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que lá estive depois de reabrir. Lembro-me sobretudo de uma vez que fui lá ver o Lee Ranaldo dar um concerto muito bom. E pouco mais.

 Nesse dia, há coisa de oito anos, choveu. Choveu o dia inteiro sem parar. Ou pelo menos eu lembro-me desse dia assim. Triste e cinzento, pés húmidos e cabelo molhado. Como hoje. Também chovia no filme. No meio daquela falta de esperança também havia chuva. Quando me lembro desse dia só vejo chuva e cinzento. E as fardas verdes dos arrumadores do cinema. De um verde não menos cinzento. Quase da cor de um dia de chuva. Hoje está um dia tão chuvoso e cinzento como há oito anos atrás, no dia em que fui ver um filme no último cinema da Avenida da Liberdade.


"Everything a lie. Everything you hear, everything you see. So much to spew out. They just keep coming, one after another. You're in a box. A moving box. They want you dead, or in their lie... There's only one thing a man can do - find something that's his, and make an island for himself. If I never meet you in this life, let me feel the lack; a glance from your eyes, and my life will be yours." (the thin red line)

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